Templates da Lua

Perfil



Meu perfil

BRASIL, Nordeste, RECIFE, Homem, Portuguese, English

Histórico

+ veja mais

Votação

Dê uma nota para meu blog

Outros Sites

XML/RSS Feed
O que é isto?

Leia este blog no seu celular

Visitante Número

Créditos

Templates da Lua

06/03/2009

Enfim, de volta.

 

“Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só

a fazer outras maiores perguntas.” (João Guimarães Rosa)


Depois de muito tempo sem postar, estou de volta.Embora não mais aquele do ultimo post.Depois de uns 3 ou quatro meses de correria, quotidiano, enfim, sem o famoso tempo pra postar.Então, começo o ano e com ele novas responsabilidades, com novos “novos” se é que dá para entender.Não sei como, nem porque me veio uma vontade repentina de escrever e ler blogs!Mas, vamos que vamos.

De repente, me pego pensando sobre algumas palavras. Muitas das vezes fico elas na mente por um bom tempo, chego a olhar seu significado no dicionário,enfim, vou avaliando-as como quem observa jóias, seus detalhes, tantos...E, na escrita, guardo o que vou descobrindo.
Esses últimos dias as palavras – conviver, destino e escolha, me povoam.
Os gregos antigos já disseram foi muito sobre a primeira, eles que nem sequer tinham uma palavra que significasse “livre arbítrio”. Seus oráculos traduzem, nas suas narrativas, seus medos, sua reverência, sua subordinação a essa
idéia infeliz de que nada, em nosso destino, pode ser mudado.
É claro que sei ser a nossa circunstância uma espécie de destino ingovernável. Mas há sempre um espaço e um jeito dentro de qualquer prisão.
Numa das nossas mais primeiras e mais queridas narrativas, Sófocles conta a história de Édipo – a propósito o mesmo do titulo do blog , que terminou, sem querer, cumprindo seu destino horrível.
Ainda nos restam resquícios dessa idéia difícil nos pequenos espaços entre nossas superstições, no poder que ainda delegamos a interpretadores de cartas, mãos, búzios e astros de saberem o que, sem remédio, nos espera. Porém não me parece que isso tem, hoje, o peso que tinha na Grécia antiga.
Também, nesse intervalo, nasceram as três grandes religiões monoteístas, erramos um tanto em nome delas e ganhamos um Deus onisciente, onipresente e onipotente que coordena tudo e todos. Além disso, Ele nos deu um presente, o livre arbítrio, que não sabemos usar. Tudo junto – injustiças, arbitrariedades, violências, fome, ignorâncias... – foi justificado, aceito, naturalizado, explicado como “a vontade de Deus”.
Desse modo, a palavra destino enfraquece, e Deus aparece com uma força sem medida. Machado de Assis transcreve essa idéia numa frase clara: “Ninguém pode decidir o que há de fazer amanhã; Deus escreve as páginas do nosso destino; nós não fazemos mais que transcrevê-las na Terra”.
Não me parece boa a idéia de que Deus escreve a nossa vida prevendo maldades para nos dar como presentes...
Então, a modernidade chega e nos traz quatro palavras cruciais: igualdade, liberdade, fraternidade, convívio e indivíduo. Ou seja, somos livres para pensar e agir e, portanto, responsáveis pelo nosso próprio destino, numa
sequência de escolhas que o vão forjando. Essa ideia tem a cara do nosso tempo, que hipertrofiou o eu e a matéria e tirou Deus do centro do pensamento.
Mas, como diz Guimarães Rosa, uma coisa é arrumar as ideias; outra é lidar no diário com pessoas e suas mil e tantas misérias, mais ou menos isso: e o que constato é que escolhemos às cegas, às vezes, e só depois é que verificamos o erro – nossos medos, nossas fraquezas, nossos projetos falidos, os episódios ruins que nos atropelam ao longo da vida, nossas ignorâncias, tudo turva a nossa visão, e confunde, e dificulta...
Mesmo assim, algumas vezes, escolhemos (ou cumprimos?) nosso destino e tudo se encaixa: é quando o que devemos fazer é o que queremos fazer e, então, o rio flui no seu leito perfeitamente.
Mas, na maioria das vezes, quedamos inertes, sem saber o que é certo e melhor, mesmo que dentro da palavra escolha esteja a capacidade de escolher bem (somos inclinados naturalmente para o bem?).
Por outro lado, há também, nesse conjunto de palavras, a liberdade individual de escolher o mal. O que faz alguns de nós irem por esse caminho é um mistério, desses que nos ocupam sempre e sempre: arte, ciência, todas as áreas de nosso saber pesquisam motivos, explicações, perdões, punições... Como todos, sei pouco sobre isso: escolher o mal é perder Deus e o homem de uma vez. É perder tudo. Inclusive a liberdade. Porque o mal é uma prisão sem porta e sem janela.
A pessoa vem destinada a ser má? De quem é a responsabilidade disso, só dela? Ela é má ou doente? O mal está na sociedade? No indivíduo? Por que nossas tão necessárias relações são, ao mesmo tempo, tão difíceis? Onde mora a força dos que suplantam seu próprio
destino?
Ou a fraqueza dos que desistem?

 

 


Escrito por Cássio às 22h00
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

19/12/2008

Cachorros...

 

Acabo de ler, recentemente, um livro chamado "Um Anjo de Quatro Patas"  de Walcyr Carrasco, que conta uma divertida história de um cão chamado Uno, o qual tornou-se não só um simples companheiro, como também ensinou o dono a ver o mundo de um forma diferente.

 

Vou fazer um breve comentário do livro, tudo começa quando um casal de amigos de Walcyr decide criar um negócio de cachorros, daí compram um casal de cachorros huskies e com o tempo os cachorros cruzaram e os donos estavam na maior expectativa para ver quantos filhotes iam nascer quando são surpreendidos - ou não!Nasce apenas um cachorro!Walcyr enquanto isto estava passando por um momento muito difícil da sua vida, tinha uma pessoa que ele amava a qual estava preste a falecer e ele estava cuidando da mesma de forma assídua até que ela infelizmente chega a falecer.Esse casal de amigos liga para ele avisando do ocorrido - da ninhada de apenas um cachorro - e acaba apresentando o cachorro para ele.A principio ele não queria ficar com ele, mas acabaram o convencendo de que seria uma companhia muito boa, afinal de contas quem resiste a um filhote?Até que eles ficam super amigos, vivem muitas histórias surpreendentes juntos - acredite, até "virar" um escritor  Uno vira!

 

Entres umas estórias e outras, acabamos fazendo uma reflexão de como é mais fácil ser um cachorro - não no sentido conotativo!Como diria Uno, em uma parte do livro: é engraçado de como os humanos fazem tantas "alegorias" em relação aos relacionamentos -principalmente os de amor - e quando chegam perto uns dos outros acabam se estranhando.Uno realmente tem razão, nós somos muito complexos, e não só!Não existe algo mais complexo do que ser uma pessoa simples existe?Como diria Woody Allen "nossas cabeças são redondas para que o nosso raciocínio mude de direção", algumas pessoas muitas vezes me criticam dizendo que eu sou um constante paradoxo, porém -tomando emprestado outra frase de Woody que "justifica" isto - " coerência é o fantasma das mentes pequenas".Além de que, como já tinha mencionado anteriormente e vale a pena salientar de novo, baseado na dialética, a única coisa que é constante é a mudança.  

 

Como o livro é baseado na vida de um cachorro, obviamente é um final já esperado.Do qual quando você já está no ápice do seu relacionamento com o animal, ele se vai!Uma fase muito difícil para aqueles que os amam!No final do livro, quando o cachorro está ficando doente, Walcyr já tinha se tornado um colunista da revista Veja e como todo bom brasileiro sempre deixava para escrever os textos de ultima hora, quando dessa vez ele sentou-se diante do computador para escrever não conseguia pensar em nada.Até que resolveu escrever sobre o seu sofrimento com o seu amado cão e mandou o texto para a editora da revista - chegando até em ter se arrependido de ter enviado esse texto, por vários motivos, entre eles, por que não estava acostumado a expor seus sentimentos em público e pensando até em escrever outro texto posteriormente para que fosse trocado, mas desistiu - no outro dia o que não faltaram foram e-mails de pessoas enviando palavra de conforto e de muita solidariedade.E vocês já passaram alguma experiência parecida?Bem aí vai uma intimativa a vocês contarem algumas de suas histórias com seus animais de estimação!


Escrito por Cássio às 00h27
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

19/08/2008

Madonna!

Andando ultimamente sempre na correria, arranjei um tempo para postar.Hoje, vou falar um pouco de Madonna, por conta do barulho que ela própria fez nesses últimos tempos com sua mega turnê “Sticky & Sweet Tour” com a divulgação do seu mais novo cd, “Hard candy”. Mesmo imaginando que, com uma carreira de um quarto de século (adoro colocar dessa maneira… parece tão mais tempo do que “25 anos”…), ela tenha fãs que nem eram nascidos (como eu) com o  lançamento do seu primeiro disco; qualquer busca por “Madonna discografia” revela que sua estréia foi em 1983. Nessa época, a cantora se destaca com seus primeiros sucessos ousados como “Everybody, c’mon and do your thing”.

Oficialmente, “Everybody” é de 1982. Hoje um “hit” esquecido, fica talvez difícil, para a minha geração, compreender por completo o quão poderosa essa música devia ser na pista de dança. Não só poderosa, mas diferente - de um minimalismo que só seria superado anos depois com a inigualável parceria entre Missy Elliot e Timbaland. “Everybody” teria sido, porém, só uma novidade passageira, se logo em seguida não viessem outros sucessos que são, até hoje, clássicos: “Holiday” e “Borderline”. Surgindo como uma “febre” Madonna estréia com outras músicas do mesmo álbum  - “Lucky star”, “Burning up”, “Physical attraction”- de maneira que, mesmo antes de ela lançar de ela lançar “Like a virgin”, em 1984, Madonna já tinha sua reputação consolidada.

Por falar em “Like a virgin” uma música que a cantora declarou não tocar mais em seus shows, apenas se pagassem a mais cerca de 1 milhão de dólares… Mas calma, não se preocupe: não vou fazer uma “discografia comentada” da cantora - algo que exigiria um fôlego do qual nem eu nem você podemos dispor agora. Nesses 25 anos, posso dizer com o pouco de minha vida que acompanhei Madonna com devoção suficiente – nem sempre tão assídua - para não deixar tantas dúvidas o quanto a admiro - e, por isso mesmo, tenho fortes opiniões sobre cada um de seus álbuns e “singles”. Mas vamos pular essas duas décadas e meia para falar de “Hard candy”, seu genial - ainda que ligeiramente confuso - trabalho mais recente.

Você provavelmente ficou um pouco incomodado com o “ligeiramente confuso” do parágrafo anterior. Explico: ouvi “Hard candy” mais de uma vez, e não exatamente pelo prazer que as faixas me ofereciam. Elas são ótimas, em sua maioria, e oferecem sim aquela já esperada recompensa com a qual Madonna já acostumou seus fãs. O que me empurrou para as audições repetidas foi mais uma vontade de tentar entender para onde as músicas estavam apontando - quais eram as saídas para o pop que ela propunha dessa vez. Afinal, ela sempre vem com suas “descobertas musicais”, como se, a cada álbum, ela pescasse um produtor de vanguarda e proclamasse: “É por aqui!”. Só que, dessa vez, como descobri depois de me debruçar sobre “Hard candy”, Madonna está apontando “para trás!”, pelo menos foi o que entendi...

E essa é a “ligeira confusão” que ela propõe. Começando com “Candy shop” (a primeira faixa, que é, para mim, uma das melhores) ou com a seguinte, “4 minutes” (que é a faixa de trabalho), as pistas musicais são desorientadoras. “4 minutes” especialmente, já que a presença de Justin Timberlake, remete a um “rhythm & blues” “circa” 2000/2002, que não é exatamente moderno - sem falar que a introdução da música é, incomodamente, a parte mais interessante dela. Vindo logo depois de “Candy store”, que insinua novidades, “4 minutes” funciona como um agradável anestésico, que te coloca apto - ou apta - a aceitar o que vem pela frente.

Na faixa seguinte, “Give it to me”, tive a certeza de que Madonna queria olhar para o passado, mas não de maneira óbvia. Por exemplo, um pouco mais adiante, em “Miles away”, o convite para adivinhar à qual fase da sua própria carreira ela se refere - não fosse tão divertido se perder nesse labirinto auto-referente. Entre essas duas faixas, a música mais sensual de todo o disco, “Heartbeat”- e quando digo “sensual”, não estou evocando a Madonna de “Erotica”, mas aquela de “Ray of light”, que sabe que o erotismo não necessariamente está na palavra, mas sim no ritmo… E ainda tem “She’s not me” - talvez o “saco de referências” mais completo de todos deste álbum (se não me engano, tem até aquelas cordas de “Kiss”, do Prince, na mistura).

Na segunda metade do CD (tenho um estranho hábito, para alguns, de escutar um disco do começo ao fim), Madonna recorre a velhas fórmulas, em nuances menos ousadas (Levando algumas pessoas à fazerem alguns comentários como -Madonna, volte a ser puta – o qual já escutei várias vezes! ). Com exceção de “Incredible” ela oferece balada (”Devil wouldn’t know it”) e ritmos latinos camuflados (”Spanish lesson”).

Porém, ressaltando a parte mais interessante do CD, é curioso notar que, mesmo com essa enxurrada de referências “retrô”, “Hard candy” oferece uma sensação de frescor mais genuína do que a maioria das debutantes do pop dos últimos cinco anos (você sabe quem são…). Madonna está de volta para “revitalizar a marca”. Mas, para aproveitar seu novo trabalho, não fique procurando referências como esse fã teimoso - que quase perdeu a chance de gostar de “Hard candy” pelo simples fato de ele ser um ótimo disco.

Sem esquecer de salientar que ela neste sábado passado completou 50 anos. E que a liberação que Madonna incita em cada um de nós, a cada novo álbum, tem a ver com espiritualismo, consciência política, simplesmente música, nostalgia, ou pura autenticidade (não preciso ser óbvio e dizer cada música que ela usou para passar essas mensagens, preciso?). E é essa Madonna que eu gostaria que todos celebrassem nesses 50 anos: a eterna libertadora; a provocadora “conseqüente”; a dominatrix de arque; a tutora sacana; a iluminada intuitiva; a infinita fonte de inspiração.Enfim, a Madonna!

 


Escrito por Cássio às 20h20
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

11/08/2008

Jogos Olímpicos.

Arranjando um tempinho para postar, :D

Eu sou um pouco suspeito para falar de esportes. Mas nem eu como vocês podem negar de que é uma verdadeira festa, não é?E de que essa idéia de que é os jogos são apenas o quadro de medalhas é limitada...E as pessoas sofreram, treinaram, e que fizeram de tudo para estar lá e isso já desse ser muito considerável, e não é 7 milésimos de segundos que faz uma pessoa ter um melhor “respaldo” do que a outra, simplesmente inaceitável.

Sobre a abertura dos jogos, eu sempre fico muito ansioso para assistir. Porém, esse ano não tive tempo. Tinha aula no exato momento, se não me fosse tão importante eu seria capaz de faltar apenas pra assistir. Contudo, eu assisti um pedaço no jornal nacional, mais um pedaço no jornal da globo, como também umas fotos aqui, outras ali. Não posso dizer que não fiquei surpreso com a apresentação – há, quem diga que foi plágio e independente de ter sido ou não – foi espetacular. Depois do que a China passou, depois de ter passado por um governo que destruiu a China com Mao Tsé Tung, e sem nenhuma perspectiva de uma reviravolta, o país chega em 2008 e dá esta resposta ao mundo.Não vou negar que eu não me emocionei tanto quanto a abertura da Grécia, que pra mim ficou marcada.Mas, voltando à China, que tiveram sim seus momentos relevantes os quais fiquei enlouquecido. Como  aquele pergaminho eletrônico; com aquele teclado humano com ideogramas chineses; e aquela apresentação de tai chi chuan em massa?; Com as pegadas dos atletas desenhadas com fogos de artifícios no ar; e com aqueles tambores - e que tambores - que não precisam nem de descrições, que já falam por si só, até mesmo os insensíveis percebiam o eco que eles faziam não só dentro deles, mas de todos nós.Na madrugada, morto de cansado, ligo a tv, simplesmente passando os jogos, da pra desligar?Já vi que serão noites e noites em claro, e dias inesgotáveis de sono!Mas vale a pena, pelo menos é o que eu acho...


Escrito por Cássio às 22h39
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

31/07/2008

Maçã?

Introdução: o problema da percepção

Não é a colher que entorta, é você mesmo.
- Menino fala a Neo, em The Matrix


Imagine uma maçã em suas mãos. Uma maçã mesmo. Caso você tenha uma aí por perto, é melhor pegá-la. Agora concentre nela. Você a vê? Você a sente? Claro! Mas o que garante a existência dessa maçã, se você só tem as aparências dela? A cor, a forma, o sabor, o aroma, até o barulho que ela faz ao cair na cabeça de Newton, tudo que temos é o fenômeno maçã em nossas mentes! Não possuímos nada da maçã de verdade além das sensações. O homem não é capaz de perceber, de experimentar qualquer coisa em si.

Confuso? Lembre dos seus sonhos. Quando a maioria das pessoas sonha, elas acreditam que estão no mundo real. Raramente conhecemos alguém capaz de saber que está sonhando durante seus próprios sonhos [1]. Bem, se dentro de um sonho, nós não somos capazes de experimentar nada, exceto as aparências, por que dentro do mundo real seria diferente? A diferença entre realidade e sonho não é só uma questão de hábito? Afinal, passamos mais tempo nesta suposta realidade do que nas falsas realidades dos sonhos, as quais sucumbem imediatamente ao acordarmos. Já chegou a hora de você acordar desta realidade aqui, perceber que ela não difere muito das fantasias do sono. Nossa percepção do conjunto das coisas em si, isto é, o mundo exterior, se resume aos fenômenos mentais: cores, formas, sabores, aromas e sons. O que é o real, fora isso?

As respostas filosóficas

Por convenção há doce e amargo, quente e frio, por convenção há cor; mas na verdade há átomos e vácuo.
- Demócrito, realista

Ser é ser percebido.
- George Berkeley, idealista


O problema da percepção não é um grande problema para os realistas ingênuos. Eles afirmam que o real é exatamente igual àquilo que experimentamos. Se eu vejo uma maçã redonda, logo ela realmente é redonda. Não precisamos de muita argumentação para descobrir incoerência nessa afirmação. Basta supor uma pessoa debilitada em sua capacidade de conhecer o mundo. Um drogado, por exemplo, percebe as coisas de maneira extremamente distorcida. O LSD, um alucinógeno potente, é capaz de fazer seus usuários ouvir cores e ver sons [2].

Não se preocupe se você era um realista ingênuo até agora. Muitas pessoas são realistas ingênuos antes de começarem a refletir filosoficamente (estamos fazendo isso agora, sabia?). Continuando, não podemos afirmar absolutamente nada sobre a realidade incognoscível, ou seja, a realidade além dos sentidos, das experiências. É absurdo defender o realismo, como também é absurdo defender o idealismo. De maneira simples, enquanto o primeiro defende a existência só da realidade material, da coisa em si, o segundo defende a existência só da realidade ideal, dos fenômenos.

Essas duas correntes de pensamento originaram uma discussão filosófica já subsistente por milênios, o que nos dá mais crédito para rejeitá-las. O problema da percepção é absoluto. Não há fatos sobre a realidade além dos fenômenos. Não há certeza sobre a coisa em si. Nós, humanos, somos meros escravos das sensações. Nossa existência está limitada ao reino das experiências, as quais são causadas por um mundo desconhecido, e o pior, que não se pode conhecer. Essas conclusões constituem o que há de mais importante no ceticismo filosófico.

Uma pergunta permanece: Devemos nos preocupar com nosso isolamento da realidade verdadeira? Talvez sim. Se a filosofia é o caminho para a verdade, há um grande entrave, visto que o filósofo cético considera inatingível a verdade sobre o mundo. O problema da percepção é um problema, ainda mais acentuado sobre o ponto de vista cético. Tamanha decepção o ceticismo nos causou! Mesmo assim, prefiro o ceticismo à ingenuidade. Não ouso clamar: a ignorância é uma bênção [3].

Desilusão? Sejamos pragmáticos

Verdadeiro é o nome de tudo aquilo que se mostrar bom no caminho da crença.
- William James, em Pragmatismo


Foi como o grande filósofo pragmatista definiu a verdade. Ora, encarando a verdade dessa maneira, não há decepção nenhuma para o filósofo cético. Ele pode continuar buscando a verdade, basta analisar as expressões do intelecto humano que são úteis e boas. Logo, filosofia não é o território neutro entre teologia e ciência o qual sofre ataques de ambos os lados, como alguém definiu. Pragmaticamente, filosofia seria mais bem definida como o estudo da verdade apresentada pela ciência e pela teologia.

A ciência é verdadeira, não porque analisa sob um método rígido a realidade, ou melhor, as aparências. É verdadeira porque é útil para o homem. O que seria de nós sem a medicina, por exemplo? Já a religião também é verdadeira, não porque é a revelação divina sobre a natureza das coisas. É verdadeira porque é útil para a transformação do homem. O que seria da sociedade sem a ação religiosa que reabilita pessoas com problemas existenciais, suicidas, viciados e criminosos? Obviamente, a atuação da ciência e da religião não se limita a esses dois exemplos, embora eles evidenciem bem a utilidade dessas duas expressões humanas.

A interpretação pragmática da verdade é igualmente eficaz para solucionar vários problemas filosóficos. Para James, a história da filosofia é, em grande parte, a história de um certo choque de temperamentos humanos [4]. Apliquemos essa visão ao confronto entre idealistas e realistas. Os idealistas são devotos, gostam de respostas absolutas, pregam o livre-arbítrio. Os realistas são ateus, adoram a matéria, divulgam o determinismo. De fato, nenhum dos dois está plenamente correto, pelo motivo de cada opinião ser baseada em temperamentos. Seja qual for o temperamento de um filósofo profissional, ele tenta, quando está filosofando, ocultá-lo. Temperamento não é nenhuma razão convencionalmente reconhecida, e por isso o filósofo tem necessidade de achar razões impessoais que justifiquem suas conclusões [5]. As necessidades ditam os argumentos, e pender para um dos lados é fundamentalmente uma questão emocional. A solução para a disputa entre realismo e idealismo é reconhecer que nenhum dos dois explica totalmente a realidade, porém ambos são importantes se usados convenientemente. O realismo é bom para o método científico. O idealismo explica melhor a relação entre Deus, homem e natureza. Essa é a lição do pragmatismo.

A verdade é a ferramenta que funciona. Infelizmente, cientistas construíram a bomba atômica e religiosos atiraram aviões em prédios lotados. Apesar disso, a ciência e a religião podem ser consideradas verdadeiras, já que são eficientes de maneira geral. E é este o objetivo da filosofia: tornar úteis essas duas grandes expressões. Através do questionamento ético e metafísico, nós aceitamos ou não as contribuições da ciência e da religião, ambas autênticas representações do espírito humano.

Fé: sobre a perspectiva da eternidade

A fé é a certeza das coisas que esperamos e a prova das coisas que não vemos.
- Autor desconhecido, Epístola aos Hebreus


Somos seres passageiros buscando verdades eternas. Somos escravos do espaço e do tempo. Nesse caso, como podemos julgar as verdades oferecidas por nosso espírito? O pragmatismo considera verdadeiro aquilo que suporta o jugo do espaço e do tempo e ao mesmo tempo se mostra bom. Desse modo verdades vivem e humanos morrem! Parece difícil demais julgar utilidades e ainda mais testar exaustivamente o lado bom de tudo. Certamente o pragmatismo é eficiente ao tratar das verdades impessoais, como a Relatividade Geral ou a Seleção Natural. Mas no âmbito das verdades individuais, é loucura ser pragmático, e nem mesmo temos tempo para isso.

Por exemplo, o pragmatismo não pode nos garantir o amor de alguém, isso é pessoal demais. Possivelmente ele também não garanta a existência de Deus. É certo que a religião pode ser útil e boa, se a filosofia filtrá-la dos maus desígnios. Porém, o que isso garante? Que Deus tem o potencial de existir, caso a filosofia o torne bom e não deixe seus fiéis serem fanáticos? Crença é uma questão pessoal. E o pessoal envolve o emocional, portanto o pragmatismo falha exatamente na comprovação das verdades pessoais.

Como proceder então? Viver na dúvida? Pior que muitos fazem isso. Agnósticos fazem isso. Esperam cair do céu a prova ou a refutação definitiva da existência de Deus. Eles não agem melhor que os pragmatistas. Contudo, ainda existe outra maneira de encarar essa difícil situação. Ter fé.

Em última análise, ciência, religião e até pragmatismo, não passam de perspectivas, modos de encarar o mundo de aparências no qual estamos limitados a existir. Apesar de elas serem convenientes e boas em certas ocasiões, nada nos garantem da realidade. Mais uma vez, nada podemos afirmar da realidade, da maçã em si. Então qual perspectiva devo usar? A de que existe um universo caótico criado ao acaso? Ou a de que existe um Deus perfeito que criou tudo com propósitos nobres? A perspectiva divina é a perspectiva da eternidade, pois ela é a visão do Criador, do Ser acima do espaço, tempo e aparências. Viver sobre a perspectiva da eternidade é viver de verdade e na verdade.

É claro que não há provas. Mas onde as provas terminam, a fé começa. A religião é uma expressão do ser humano, e por isso carece de questionamentos. Uma expressão pode manifestar amor, paz, bondade e muitos outros frutos positivos. No entanto, também pode canalizar ódio, guerra, intolerância e qualquer outro mau sentimento que o espírito humano é capaz de alimentar. Devido à nossa maldade interior, a religião deve ser questionada em seus princípios éticos e metafísicos. Diferentemente, a fé não exprime nada. Ela é um sentimento, uma verdade emocional, pessoal e independente do racional.

Os filósofos buscaram alcançar o eternamente verdadeiro, bom e belo através da razão. O ceticismo acabou com suas pretensões, ao menos no campo da realidade. Ainda bem que temos a fé, a nova esperança para as coisas eternas. Se nós vivermos buscando coisas passageiras, então seremos passageiros. Entretanto, a busca por coisas eternas nos torna eternos. Na medida em que a mente vê as coisas em seu aspecto eterno, participa da eternidade [6].

Quem de três milênios
não é capaz de se dar conta
vive na ignorância e nas sombras
à mercê dos dias e do tempo [7].

Viva sobre a perspectiva da eternidade!

 

Tira do dia:

***
Referências:
[1]
FAQ do The Lucidity Institute, lucidez em sonhos é um fato cientificamente comprovado
[2] Artigo do governo americano sobre alucinógenos
[3] Diálogo de Cypher ao comer um bife suculento no filme The Matrix,
cena disponível on-line
[4] [5] William James, Pragmatismo
[6] Arthur Schopenhauer citando Spinoza, O mundo como vontade e representação I
[7] Goethe, essa estrofe está em uma das primeiras páginas de O Mundo de Sofia
 


Escrito por Cássio às 21h00
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

20/07/2008

O mal é o bem ou o bem é o mal?

O bem está virando um luxo e o mal é uma necessidade social. Sem participar do mal, não conseguimos viver. Como ser feliz olhando as crianças famintas? Temos de fechar os olhos. A felicidade é uma virtude excludente. “Sou feliz, se conseguir manter os olhos fechados.”

Ser feliz é não ver. O mal está virando um mecanismo de defesa. Quem é o mal: o assaltante faminto ou o assaltado rico? Ou nenhum dos dois? É o neoliberalismo? Quem é o planejador do mal? O Japão vai parar de produzir robôs, para empregar a mão-de-obra faminta de Ruanda? Quem controla o mal? Osama? Bush? Ou eles são objetos de um “mal” histórico-concreto inevitável? O mal não estará entranhado na matéria profunda do mundo? Como praticar o bem? Apenas se horrorizando com o mal? Não vale ficar “tristinho”, nem lançar apelos à razão ou à caridade.. Eu fiz tudo para ser um homem de bem. Serei um canalha? Todos se acusam mutuamente. Todos querem ser o bem. O Mal é sempre o outro. Nunca somos nós. Ninguém diz, de fronte alta: “Eu sou o mal!”  Durante a ditadura, todos éramos o bem. O mal eram os milicos. Acabou a dita e as “vitimas” (dela) pilharam o Estado. O que é o bem hoje? É lamentar tristemente uma impotência, é um negror melancólico, é um elogio da morte? Ou o bem é ser pragmático, frio? É uma identificação mecânica com os pobres ou um desejo "protestante" de melhorar na vida?

Todo pensamento aspira à totalidade. O bem é um desejo de harmonia, de Uno, de totalidade ou o bem é suportar heroicamente o múltiplo, o incontrolável, a impotência "democrática"? O bem hoje é aceitar os limites do possível histórico, é tentar trabalhar dentro do mundo real ou persistir em utopias ridículas, apenas pelo prazer de se sentir acima da insânia da vida?

Pensamos com o corpo, queremos que o mundo seja um “todo harmônico”, como o nosso organismo. A idéia de “fragmentário” gera angustia porque lembra a morte.

Hoje, com a queda das utopias, a razão tenta se adaptar ao absurdo pós moderno. Mas o problema é que não conseguimos pensar sem desejar alguma totalidade. Assim, a aceitação do fragmentário se re-erige em nova totalidade e começa tudo de novo.

O problema hoje é que até o homem-bomba é o bem. O mal dos terroristas consiste em injetar o arcaico no moderno, eles, os ‘bárbaros tecnizados’.

Ao denunciar o Mal, vivemos dele. Eu ganho a vida denunciando o que acho o "mal".

Para a razão digital, o mal no mundo atual é o “incompreensível”. E só o Mal pode dar conta do mal. O bem tem de conhecer o mal e se travestir de mal para combatê-lo.

No Brasil, o mal, o grande Mal, não tem importância. O perigo aqui é o pequeno mal, enquistado nos estamentos, nos aparelhos sutis do estado, nos seculares dogmas jurídicos, nos crimes que são lei. O mal aqui está nos pequenos psicopatas que, quietinhos, nos roem a vida. Aqui o grande canalha serve para camuflar os pequenos (que são os grandes) canalhas. O mal do Brasil não está na infinita crueldade dos torturadores ou das elites sangrentas; está mais na sua cordialidade. O mal nos engana, no Brasil. Aqui, o perigo é o Bem.

Tira do dia:

Depois de um bom tempo sem postar estou aqui de volta :P .Abraços.


Escrito por Cássio às 21h26
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

10/07/2008

Greenpeace.

No Senado passou um projeto de lei que permite que até 50% da vegetação nativa possa ter destruída, diferente dos 20% atuais. O projeto tende a legalizar o desmatamento da floresta. Pense no impacto ambiental disso, pense na biomassa destruída sem sequer ser conhecida, pense na que pode acontecer, ainda tem tempo, o projeto ainda vai para Câmara, entre no site da campanha, participe do abaixo-assinado e impeça que nossa floresta seja destruída.

http://www.meiamazonianao.org.br/

Apesar de que se o mundo dependesse do Greenpeace, já era. Não obstante, já é alguma coisa, qualquer atitude que você poder dar é válida.

Abraços.

Tira do dia:


Escrito por Cássio às 22h39
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

08/07/2008

Freud e o Sonho.

Começei a ler o livro de Freud que se chama "A Interpretação dos Sonhos", to achando muito foda, vou fazer um pequeno resumo do que já li; espero que gostem!

Abraços.

A visão pré-histórica dos sonhos é relativa à antiguidade clássica. No entanto, acreditava-ser que esses sonhos eram relativos a “deuses” e a “demônios”. E tinham um papel fundamental na época que seria de prever o futuro. Já Aristóteles em suas duas obras relacionadas aos sonhos, dizia que os mesmos não tinham relações divinas e sim “demoníacas”, visto que a natureza era demoníaca. Os sonhos na realidade não provêm  do sobrenatural, nem tão pouco prevêem o futuro; estão relacionadas as leis do espírito humano. Enfim, definem-se sonho como uma atividade mental de quem está dormindo, na medida em que, está adormecido. Aristóteles já tinha alguma visão certa sobre o sonho, por exemplo, ele já sabia que os sonhos dão uma visão ampla dos pequenos estímulos nervosos enquanto dormimos. Antes de Aristóteles como já sabemos, acreditava-se que o sonho era introduzido por uma instância divina. A partir daí criou-se duas correntes antagônicas dos sonhos que acabou por influenciar as opiniões oníricas por toda a história. Dividindo, assim, nos verdadeiros e válidos, para advertir o homem ou simplesmente predizer-lhe o futuro; e nos sonhos vãos, destituídos de valores, cujas intenções eram destruí-lo ou desorientá-los.

E sobre os cartuns da Mafalda, vou começar a postar na seqüência, como eu já tinha postado o cartum número 1 no post anterior, hoje será o nº 2 e assim sucessivamente.

Tira do dia:

 


Escrito por Cássio às 21h09
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

06/07/2008

Museu de cera de Berlim abre com Einstein, Beethoven e Hitler

Postando na correria, sem tempo pra nada.Este semestre agora vou estar numa correria só!

Como o tempo é curto, vou colocar essa reportagem que li no site G1. E a tirinha da Mafalda é a Nº 1

Espero que gostem! Abraços.

Madame Tussauds da capital alemã pode ser visitado a partir de sábado (5).
Estátua de Hitler foi criticada; há isolamento para que pessoas não posem para fotos.

O novo museu de cera de Berlim, que abre suas portas para o público no sábado (5), vem sendo criticado por expor uma estátua de Adolf Hitler, em numa réplica do bunker em que passou seus últimos dias de vida. Críticos disseram que é inapropriado expor o ditador nazista, que lançou a 2ª Guerra Mundial e ordenou o extermínio dos judeus na Europa, ao lado de estátuas de celebridades, popstars, estadistas mundiais e heróis do mundo esportivo.  

Na Alemanha, é ilegal expor símbolos nazistas ou obras de arte que glorifiquem Hitler, e a seção dedicada a Hitler é protegida por cordão de isolamento, para que pessoas não possam posar para fotos ao lado dele.

 

Cerca de 25 trabalhadores passaram quatro meses produzindo a figura de Hitler, usando 2.000 fotos e materiais de arquivo e baseando-se também no modelo exposto no Madame Tussauds de Londres (Foto: AFP)
 
O Museu de Cera de Berlim tem ainda réplicas de Einstein, George W. Bush e Madonna, entre outras (Foto: AFP)
 
Os grandes nomes da música alemã estão presentes do museu: à esquerda, Johann Sebastian Bach, e à direita, Ludwig van Beethoven (Foto: AFP)
 
Tira do dia:
 


Escrito por Cássio às 12h35
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

02/07/2008

Cinema.

Acabo de chegar do cinema; vejo que a cada dia que se passa ir a um shopping está sendo uma tarefa um tanto quanto a ser pensada. Filas, proximidade física exacerbada com estranhos, celulares que sempre tocam, barulho das pessoas – por que sempre tem que ter uns idiotas pra acabar com a concentração do filme? -.Como também nas ultimas produções está cada vez mais raro filmes bons.(Ou será eu que estou mais chato? Não precisa responder.). Uma das causas que penso é a pirataria, que já arrasou a indústria fonográfica e agora ameaça as produções de Hollywood. E o que estão fazendo? Simples, investindo menos nos filmes, principalmente aqueles novos que têm um grande risco de não darem certo. E simplesmente as palavras “repetir” e “seqüências” que vêm sendo muito utilizadas.Com isso tome: Indiana Jones, Transformers, A Múmia, Homens-Aranha 3, Sherek Terceiro, entre outros.     

Deixando o pessimismo de lado vamos ao filme.Acabo de ver “Jogos de Amor em Las Vegas” cujo titulo em inglês “What Happens in Vegas...”. Foi um filme engraçado, despojado e divertido do começo ao fim. Nota-se claramente que a química entre Cameron Diaz e Ashton kutcher funcionam pra valer. Cameron que há muito tempo não se encaixava tão bem em uma comédia. O roteiro em si é bem simples, assim, não deixando margens pra dúvidas ou surpresas.Longe disso. Achei a comédia “anti-romântica”, devido aos comportamentos dos protagonistas.Salientando assim uma criatividade muito boa. Mas um fato bem relevante foi à abordagem do eterno jogo de valores e diferenças de comportamento entre homens e mulheres.  Conseqüentemente você acaba se identificando em algum momento com alguma das situações vivenciadas no filme.

Ashton por sua vez, com um senso de humor quase que adolescente, traçando uma linha tênue entre o irônico e o bobo e alternando com muita facilidade momentros cômicos e dramáticos sem soar falso ou deslocado em seus papéis.

Obvio, está longe de ser um filme que irá provocar grandes reflexões ou alguma característica que valha a pena escrever algum tipo de tese.É um filme de mero entretenimento e nada mais. Mas é uma produção ideal para que está procurando um filme para relaxar ou se divertir, sem maiores preocupações.

Tira do dia:

 

 


Escrito por Cássio às 23h47
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

29/06/2008

Fato.

Estava andando no estacionamento de um shopping indo para a livraria cultura, quando sem querer escutei uma mulher de uma certa idade reclamando com outra que estava com ela – esta por sua vez, aparentava ser da classe media alta -. Que o que ela tinha acabado de fazer não era certo, e estava indignada. Fiquei curioso para saber o que acontecera, quando descobri que ela tinha posto o carro no estacionamento para deficientes físicos ou idosos, apenas por comodidade, por não querer colocar o carro longe da entrada do shopping. E ainda achava-se no direito de contra-argumentar, pasmem, que praticamente não ia nenhum tipo de deficiente para aquele lugar. Fico pensando e querendo saber: O que se passa na cabeça de uma mulher dessa? Uma pessoa de classe media alta nesse país tem TODOS OS PRIVILÉGIOS DO MUNDO que se possa ter, e não feliz, ainda tem a capacidade de tomar uma atitude deste nível. O privilégio conquistado com muito esforço pela aquela minoria portadora de algum tipo de deficiência ou até mesmo idosos! Onde é que nós vamos parar?!

Tira do dia:


Escrito por Cássio às 19h54
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

25/06/2008

Veríssimo.

Acho a maior graça. Tomate previne isso,cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me
embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo,
faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir
desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!

Luís Fernando Veríssimo

Tira do dia:


Escrito por Cássio às 18h54
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

20/06/2008

Teatro.

Em "Hamlet", peça que estréia nesta sexta (20) em São Paulo, Wagner Moura vai subir aos palcos para viver um dos maiores personagens do teatro. Mas o que há de comum entre o capitão Nascimento, a figura central do filme “Tropa de elite”, e Hamlet, um dos maiores personagens de Shakespeare?

 O que eles têm em comum é a dúvida sobre si mesmos, a angústia e um ator brasileiro, Wagner Moura, que da podridão do morro vai agora à podridão do reino da Dinamarca.

Wagner Moura saiu da favela e entrou no palácio para viver outro personagem atormentado: Hamlet, o príncipe da Dinamarca, que recebe do fantasma do pai a missão de vingar seu assassinato.

“Hamlet passa longe de ser esse príncipe monolítico, triste. Ele é também isso, mas é muito mais. Porque é uma peça e um personagem maiores do que a maioria de nós”, diz o ator.

Escrita por William Shakespeare por volta de 1600, Hamlet é uma das grandes tragédias do teatro ocidental. Ganhou versões famosas. Em 1948, Sir Laurence Olivier levou-a às telas e fez, do alto de um penhasco, a célebre pergunta que expressa toda a angústia do personagem: “To be or not to be. That is the question.”. Ser ou não ser. Esta é a questão.

Hamlet é o maior personagem da história do teatro. Talvez só ele tenha a força para deixar em segundo plano o capitão Nascimento.

Depois de viver o protagonista de "Tropa de Elite", Wagner Moura encarou o texto de Shakespeare com reverência.

“O Shakespeare é incrível, ele conseguiu ser um cânone literário e o maior homem de teatro do mundo. Termina sendo uma espécie de fetiche dos atores”, comenta Wagner Moura.

Não importa a época e nem o país, encenar a peça mais conhecida de Shakespeare é quase sempre o grande sonho e ao mesmo tempo uma prova de fogo para qualquer ator. O desafio é ainda maior se além de atuar, o elenco também tiver que manusear uma câmera de vídeo, como nesta peça.

Os atores em cena registram os próprios movimentos, exibidos em um telão. Lá e no palco, um Hamlet diferente, um dinamarquês meio à baiana.

“O Hamlet é debochado, o personagem é um personagem debochado. E o brasileiro também. E eu como um brasileiro debochado, terminei fazendo um Hamlet também debochado”, brinca.

De uma coisa Wagner Moura tem certeza: Hamlet e Shakespeare sempre foram maiores do que todos os seus encenadores.

“Talvez por isso essa peça esteja viva até hoje, e provavelmente estará viva daqui a 500 anos. Vai enterrar nós todos. Nós vamos morrer e os nossos tataranetos continuarão assistindo 'Hamlet'”, conclui.                                                                                                                                                                 g1.com.br

Infelizmente eu não poderei ir, por causa da distância :( , mas nem vai ser bom!

Tira do dia:

 


Escrito por Cássio às 19h27
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

19/06/2008

Crime e Casitgo

Acabei de ler Crime e Castigo –  Dostoiévski escritor Russo - faz pouco tempo e, sem dúvida, compreendi que é um livro fenomenal em vários aspectos, e que se justifica como um “clássico da literatura”.

O que escrevo aqui é um pouco do que esse livro, que é considerado um dos maiores clássicos da literatura de todos os tempos.

       
Publicado em 1866, narra a história de Rodion Românovitch Raskólnikov, um jovem estudante que comete um assassinato e se vê perseguido por sua incapacidade de continuar sua vida após o delito. Apesar de ser um professor, Raskólnikov vive numa extrema pobreza, e passa seus dias atormentados com a idéia que precisa fazer algo realmente importante para a sociedade. Diante disso, cria uma teoria em que separa os homens em dois grupos: os ordinários e os extraordinários, numa tentativa (frustrada?) de mostrar como que quebrar as regras e a leis pode servir para o desenvolvimento humano.
         
Foi pensando em fazer algo a favor da sociedade, segundo a sua própria premissa, que o personagem arquitetou, numa constante luta consigo, a morte de uma agiota. Raskólnikov enfim consegue cumprir com o assassinato. Só que, antes de fugir da cena do crime, foi surpreendido pela presença inesperada de Lisavieta, irmã da velha agiota, que chegou de surpresa e foi também assassinada, a contragosto, pelo personagem.
         
Após ter matado as duas mulheres, ele rouba algumas jóias da casa, mas o máximo que consegue fazer é escondê-las sobre uma pedra, já completamente tomado pela culpa.
          
Daí para frente o romance passa a relatar de uma forma muito detalhista todos os dramas psicológicos que sofreu o autor dos homicídios, e toda a conseqüência dos seus atos. Acontecem diversas histórias paralelas à história do personagem principal, como um romance de sua irmã com um homem rico e as suas relações com a personagem Sônia, outra mulher que vive numa situação muito crítica. Os dois de certa forma enxergam a implícita cumplicidade que há na existência parca de suas vidas.
                         
Mesmo estando desconfiada do envolvimento de Raskólnikov no crime, a polícia terminou por prender um inocente que acabou se intitulando culpado dos assassinatos por uma razão pessoal, e bastante esclarecida no livro. Entretanto, logo o personagem acaba confessando seu crime, devido a grande influência de Sônia em sua vida, que antes disso compartilhou com ele algumas leituras do Novo Testamento.
         
Após toda essa saga, Raskólnikov é preso. Mas, pega uma pena curta, de apenas 8 anos, numa cadeia na Sibéria, devido não possuir antecedentes criminais e estar arrependido. Durante todo o difícil período da prisão, Sônia manteve-se muito presente e ajudou-o em tudo.
         
“Crime e Castigo” é um grande livro, com uma grande história. A forma como Dostoiévski escreve é tão envolvente e pessoal que certas horas eu me sentia como se estivesse vivendo os dramas desse enlouquecido protagonista.
              
Mas o determinante aqui é como esse livro me levou a olhar para este ponto: a forma como nós criamos idéias, pensamentos e filosofias, apenas para justificar nossas más, egoístas e pecaminosas intenções. Como às vezes estamos nos sentidos frustrados e sozinhos, e para transpormos o nosso isolamento social simplesmente inventamos um motivo “justo e bom”, até mesmo com fundamentos em certas verdades, apenas no intuito de pularmos o muro que nos separa dos nossos próprios desejos e ficarmos livres para fazer o que  “der na telha”.
                  
É fato que toda transgressão maquinada dentro dos alicerces da razão, e que é finalizada num habitat de insinadade e paixões momentâneas, produzirá a culpa. Num exemplo bem pueril, é como um garoto que queria muito a torta-de-maçã que estava esfriando na janela da casa vizinha. Ele sabe que é errado roubar, mas ele tem fome, e rouba. De certa forma, a fome abençoou o seu roubo, mas não o livrou da gulosa indigestão e nem do pensamento que o atormentará adolescência afora: “minha mãe disse que ladrão vai para o inferno”.
          
Eis, aqui, a culpa. E o que é a culpa? Ela pode ser o sinal de alerta que o levará a enxergar seus erros, como pode ser o mecanismo que fará com que você se afogue num poço de autopiedade e comiseração. Por mais conhecida que ela seja de todos nós – quem já não se sentiu culpado uma vez na vida? – muitos ainda não sabem o que fazer com ela.
          
Penso que não existem muitas opções para se lidar com a culpa, mas  posso listar umas formas duas formas de fazê-lo:
         
1. Você pode usar de algumas “psicologias” moderna.Elas vão lhe ajudar a apagar essa mancha da sua consciência. Afinal, você é um ser humano, e não merece sentir-se culpado. Certo? Alguns profissionais vão lhe mostrar como encontrar uma forma de desconstruir a linha que levou você a enxergar-se como um réu digno de punição. Está sendo travada uma grande batalha do pensamento contemporâneo contra esse sentimento. Para o mundo atual, a culpa é a grande culpada.
           
2. Você pode aderir ao “Hakuna Matata”. Já assistiu à longa metragem de animação, chamado “O Rei Leão”? Lembro como hoje as horas que  eu gastava horas vendo e revendo todos os dias esse desenho. O lema do filme é, “os seus problemas você deve esquecer, isso é viver, é aprender, Hakuna Matata”. Basicamente, a opção dois é igual à opção um, só que aqui é mais simples. Você simplesmente sublima e pronto, resolvida a questão. Sem culpa, sem dores, uma operação anticulpa no estilo fast-food.
          
             
Entre outros motivos. E se você ainda não leu este livro, leia! Apesar de ser um pouco denso, você não se arrependerá!

 

Tira do dia:

 


Escrito por Cássio às 17h49
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

18/06/2008

"O Protesto Pelado!"

Cerca de 1.200 pessoas participaram de sessão de fotos do fotógrafo norte-americano Spencer Tunick em frente a um castelo em Cork, na Irlanda. Pessoas protestaram contra o evento, que já teve uma passagem pelo Brasil.(Informações tiradas do site do G1)

Será mesmo que isso tem mais efeito do que os protestos com as armas?! Esses protestos desse fotografo já vem surtindo alguns efeitos pelo mundo. E se realmente for mais eficaz, você protestaria dessa forma? Para como o quê?  

Tira do Dia:


Escrito por Cássio às 14h32
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]